Sábado, Maio 30, 2009

Carta a minha mãe


Mãe, acho que é a primeira vez que escrevo algo pra você. Mas se só agora escrevo, é porque o tempo chegou. Não quero saber do passado, pois esse já se foi e muitas vezes damos muito crédito e atenção a ele. Ele nos paralisa e tira nossa alegria que o fôlego de vida nos dá...Quero dizer simplesmente, como a maior verdade que há em mim que você é a melhor mãe do mundo. Não pense nos erros... Todos erramos e assim continuaremos a fazer, pois no princípio foi assim. Mãe, sempre soube de sua dedicação e esforço para nos criar. Das noites em que você fazia hora extra para nos sustentar... Hora extra não só no trabalho, mas na tentativa de ser inclusive mãe-pai. Sei das vezes que você negou a si mesma para nos ensinar o que se ético e respeitoso. Vi suas lágrimas derramadas no escuro solitário nas madrugadas que se viveu. Mãe, eu não estava lá na sua infância, mas estou certo de que não foi fácil. Mas, mais difícil foi você, sozinha, não reproduzir, não deixar que vivenciássemos o que com você aconteceu. Mas você lutou e venceu, nos dando um lar muito melhor do que você teve. Isso é um fato.
Talvez seja um absurdo o que vou dizer, mas te vendo, vejo não um Deus-Pai, mas sim um Deus-Mãe, posto que só as mães têm o poder de vida gerar. Sei que poderia ter sido um filho melhor, mas infelizmente não deu, não consegui, falhei. Mas não sinto culpa. Nós merecemos sempre uma segunda chance. Uma nova oportunidade. Por isso o passado como disse, passou. Sabe mãe, se eu tivesse que escolher o ventre em que nascer, não seria diferente. E não poderia ser. Nasceria mil vezes de você mãe, minha mãe, minha mãe, mãe minha. A gente tem todo o tempo do mundo para conviver. Conviver sem culpas, sem débitos, sem “neuras”. Olhe para suas netas! Você deu certo! Você se tornou eternas nelas! Seu caráter está nelas mãe. Elas são lindas meninas porque você é a avó delas! Parabéns matriarca! Quero só te dizer: Muito obrigado! Muito obrigado... Seu filho que tanto te ama , Marcelo.

Domingo, Abril 12, 2009

Meu Jardim!


Tenho um jardim.
Tenho um jardim de duas flores só.
Há duas flores no meu jardim.
Lindas são essas
Essas são lindas
Não preciso tocar
Quero só olhar as flores de meu jardim
Não preciso de mais nada
Tenho duas flores em meu jardim
Sou feliz com meu jardim
Meu jardim me faz feliz
Há duas flores em meu jardim
Uma delas “brotou” primeiro
E primeiro me chamou atenção
Conquistando meu coração
È linda meiga afável
É uma flor do campo
Cheia de vida e dança
Cheia de aromas naturais
Ama orvalho e gosta das estrelas
Meu amor, minha vida essa flor
Minha Mayara é ess
a flor!
A outra mais nova
Depois nasceu
Chegou depois
Seqüestrou meu coração
Cheia de amor e solitude,
Ama sempre, ainda que silenciosamente
Inteligente e bela
É despretensiosa , é a melhor amiga que um pai pode ter
Analisa, reflete e age, posto como disse
É perspicaz demais
Criança adulta
É uma rosa!
Gosta de shopping
Mas o Sol a atrai
Faria shoppings sem teto só para nunca deixar
Do Sol contemplar
Ela é flor do meu jardim!
Minha Bia é essa flor!
Agora sei que no ja
rdim de minha existência
Jardineiro não sou
Posto que nele não plantei
E nem poderia
As flores do jardim da minha vida
Nesse jardim
Visto que só Ele poderia criar tais flores
Pois é...
O jardim é minha vida
Minhas filhas são as flores
Que me alimentam com seus "aromas-amores"
E meu Pai que estás no céu é o jardineiro.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Desabafo, não leiam!



Desabafo, não leiam!
Hoje sinto um misto de coisas...
Sinto amargura, sinto raiva, ciúme...
Sinto decepção, desprezo e nojo.
Não sei se tenho direito a sentir alguma coisa,
Mas sou feito de tanta coisa, que coisas estranhas aparecem dentro de mim sem eu esperar
E pulam pra fora de minha face para diante de meu rosto.
Não se contentando com meu rosto
Saltam de minha face na forma de sons truculentos e gritos indizíveis...
Preciso exorcizar logo esse “demônio”.
O estranho é que estou colhendo o que plantei... Sim malditas sementes ora que sejam!
Mas sei que se plantei, é porque o terreno era propicio, para tal existia.
Tinha todas as condições para brotar a amargura que agora colho.
Havia nele minerais chamados “carências”, “cobranças”, “ indiferenças”, e um pH tão “ácido” que posso somente compará-lo ao atributo inerente do diabo: ACUSAÇÃO!
Pois é... Esses eu sabia que existiam, mas o pior não foi isso...
Foi descobrir que no subsolo de tal existência, havia coisas fédidas como mentiras de paixões inexistentes, transfiguradas de "pseudo altruísmo anestesiante", posto que se existiam, não se acabariam como de fato realmente sei que aconteceu... Nesse lugar que não havia luz e creio que dificilmente haverá. Encontrou- se também a falta de percepção do que se é ético, e que não necessariamente precisava ou precisa ser moral, visto que essa pode sim variar de pessoa para pessoa, mas o erro é dizer que se tem, quando na verdade se teve para simplesmente atingir o outro...
Sei que estou magoado...
Que estou azedo com o sentimento de tempo perdido, não do tempo que vivi, mas na insalubre insistência de fazer dar certo o que nunca poderia ter dado. Isso me matou...
Pasmo estou com a falta de amor e companheirismo que pensei que o tempo poderia cultivar e fazer brotar o que se esperava... Mas o que nasceu foi atrocidades comportamentais... Estou magoado e não espero consolo de ninguém, posto que sempre subi esbravejar para que nunca chegasse que vir acontecer o que nesses últimos tempos aconteceu. Sinto nojo.
Tal pessoa nunca existiu como existência em mim , pois se existido tivesse, teria ouvido o que o Espírito disse a si mesma esses anos todos, domingo a domingo... Não ficou... Tudo se perdeu... Acho que nada tinha mesmo.
Agora entendo que existem assassinos que não matam a carne, mas matam existências... Fazendo com que tais vítimas se tornem “fantasmas” , caso não encontrem o verbo Encarnado, Desencarnado, Ressuscitado...( Pois é... tempo de Páscoa e eu escrevendo isso aqui, coincidência, lamento!)... Gente que mata por amor, ao invés de matar de amor... Gente que sempre acha que os outros precisam de ajuda, de mundanças, quando na verdade são a causa patológica de depressões, bebedeiras, fugas, decepções e de suicídios existenciais... Gente que tenta tirar ciscos mas nunca enxergaram, posto que por cego serem, nunca compreenderam a verdade de suas próprias vidas... Que querem o Reino mas não querem perder suas carências, posto são seus ricos tesouros.
E por isso tudo repetem ações que por muitas vezes se disseram arrependidas, fazem os mesmos erros , mas agora revestidos de “eu também tenho direito” de “quero ser feliz”.
Pois é, to muito p... da vida, mas não sou de ficar p... com a vida, pois é dom de Deus.
To desabafando para mim mesmo e para quem quiser ouvir. Isso para não machucar ninguém que não tem nada haver com a grande merda que fiz vivendo ao lado de que só soube sugar, como parasita fosse...
Sei que não sou santo e que fui um crápula sim, mas nunca escondi isso, e nem fiz juras de amor, e nem me escondi atrás de “primogenitura conjugal”. Fui o que fui, sofrendo primeiro eu, depois fazendo sofrer. Mas nunca agi envolvendo almas que ainda não merecem sofrer, por meninices e carências psicoafetivas...
Paro por aqui pois a terra já acabou e ando sem dinheiro para comprar mais de meio quilo de cal, visto os vermes precisam ser mortos, cemitério à noite dá medo e a pá é emprestada.

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Classificados




Classificados

Ofereço-me à vaga de AMANTE

Procuro pessoa que possa receber atenção, elogios...
Que possa receber piadas e dividir tristeza...
Onde encontre aconchego, e por isso colo possa dar...
Procuro uma pessoa que possa amar.
Disponibilizo-me a ser ouvinte,
A falar somente quando o silêncio não tiver mais nada a dizer.
Entender que há gritos que sons não emitem
Tenho também insensibilidade e desatenção...
Mas tenho vontade disso mudar.
Compartilho fé, consolo e compromisso...
Sou esquecido das promessas que faço.
Me arrependo.
Mas sei que é doloroso saber os próprios erros
Mando flores, sem tirar os espinhos...
Posso mudar isso
.
Quero ser jardineiro!
Muitas vezes toco mais com o olhar do que com a pele...
E vejo o aroma de atos despretensiosos...
Procuro uma pessoa que possa amar.

Hoje sei contar estrelas...
Ver pôr do Sol.
Sei tocar as plantas...
Sei empurrar o vento de olhos fechados...
Sei que na ânsia de amar, podemos quebrar o fino cristal
Que guarda as emoções mais verdadeiras por quem temos tal ansiedade.
Corto-me tentando colar “cacos do cristal”...
Sangro, sangro, sangro...
Sou um hemofílico existencial...
Faço sangrar.
Tento ser médico
Ainda há tempo.
Sei correr no campo...
Tomar sorvete na praça...
Devia ter feito mais isso.
Enxugo lágrimas...
Muito chorei.
Hoje sei olhar e enxergar
Aprendi a usar óculos alheios...
Vejo beleza com passar de anos
Gosto de cabelos grisalhos...
Procuro uma pessoa que possa amar
Não careço de elogios
Não careço de presentes
Sou dependente de atenção
E viciado em suspiros.
Sou carente de outra “carne”
Não sei ser uma “carne só”
Mas quero ser “uma só carne”
Não sei amar...
Procuro uma pessoa que possa amar...
Que me ensine a amar.

Quarta-feira, Outubro 29, 2008

A bebida

A bebida

Bebi por uma vida, para não beber uma vida inteira.
Bebi bebida, mas também bebi pessoas.
Bebi coisas muito mais rápido que as pessoas. Essas resistiram muito mais, contudo sucumbiram em meu intrínseco vício.
Bebi dinheiro como se água fosse. Depois, tive sede de verdade. Ressaca de bebida e sede de dinheiro, assim como de água.
Bebi amigos e estranhos. Depois de um tempo, os amigos que não beberam tiveram comigo, a ressaca que não lhes pertencia.
Bebi meu trabalho e ele ficou embriagado. Deu passos tortos, falou demais e alto, mas não disse muito; abraçou demais, consolou e ensinou de menos. Ele andou cambaleando pelos dias úteis e não úteis, felizmente não “apagou”.
Bebi tempo, tempo que é redundante dizer que não tenho mais, e cada vez mais , falta me faz mais.
Bebi minha fé e ela desidratou assim como o meu corpo e por conseguinte, minha alma. A bebida que entrou levou muito mais consigo do que ofertou. Ofertou euforia, mas levou a alegria da contemplação do divino, do que transcende a alma e a razão humana.
Bebi minhas crianças que nunca entenderam porque a paciência sumira e a grosseria crescia, pois no mundo de criança, as idiossincrasias dos adultos não têm sentido.
Bebi a mulher que me conheceu abstendo-me da bebida que bebi. Ela teve ressaca sem ter bebido a bebida que bebi. E de ressaca em ressaca, ela desistiu e parou de beber, ela deixou de me ver.
Bebi minha mãe, que nunca vai parar de me ver, mas passou a viver, como se a vida não tivesse a alegria que lhe é inerente.
E por falar em vida, eu bebi sua alegria em troca da ilusória anestesiante euforia, que se alimenta de fracas almas doentes, tornando a vida, um campo de tristeza e iminente morte.
Por isso com muita dor, mas agora com a sóbria consciência escrevo novamente:
Bebi por uma vida, para não beber uma vida inteira.
E hoje quero apenas não mais beber a vida, e sim degustá-la, na ingestão simples da água potável, que me faça enxergar sempre no foco, pisar passos firmes, e ter a destreza da percepção de “tempestades e terremotos” que com certeza, o simples fato de estarmos vivos, nos trás.

Sábado, Outubro 04, 2008

Imprevisibilidade certa


Imprevisibilidade certa

Sinto falta de ar... De respirar e ter alimento do céu...
Quantas saudades... quantas dúvidas...
Querer. Sempre querer, mas nem sempre ter...
Mas querer...
Loucura... Maior loucura é não saber o que se quer e por isso querer demais.
Querer de menos... não querer...
Não saber querer, não poder querer...
E, por isso tudo, querer mal.
Loucura...
Saudades... Quantas saudades...
Quanta coisa a que a mente diz sim, mas o coração diz não.
E quanta coisa a que o coração diz sim, mas a mente não...
Vida, isso é vida..
Sem previsões... Sem pesquisas...
Somente sangue, suor, tombos e lágrimas.
E muita, mas muita estupefação!
Chove em dia sem guarda chuva
E faz sol de calça jeans.
Vem a dor e, quase sem percebemos, há sorriso.
A gente diz que não, mas dizendo sim.
E diz sim só para procrastinar o não.
Deixamos ir quem amamos
E, muitas vezes, desprezamos quem nos ama de verdade.
Verdade, quem a saberá?
O que é a verdade num coração que é extremamente passional?
Amei quem decepcionei...
Decepcionei quem amei e quem me amou...
Mais uma vez....
Muitas escolhas não foram suficientemente plausíveis
Para atender a todas as demandas de minha existência.
Deixei lacunas...
Abri buracos...
Pisei em voçorocas...
Apesar de ainda não ter quebrado pernas, muito tenho rastejado...
Mas sei que o sol ainda brilha acima das nuvens que escrevo.

Segunda-feira, Março 31, 2008

Árvores, estranhos homens



Árvores, estranhas árvores

Outro dia estava olhando uma grande árvore.
Como era frondosa e imponente. Parecia inabalável. Sua copa era imensa e proporcionava uma grande sombra àqueles que ao seu redor ficavam. Seu tronco, robusto e soberano, demonstrava como personificação de poder, a invariabilidade e imobilidade que enfrentava todas as intempéries desta vida ─ variações climáticas e cíclicas.
Com o decorrer do tempo, sua aparência já não muda mais, pois se torna uma guardiã dos dias que se passam.
O segredo de tal majestade, verifica-se no crescimento.
Uma árvore, para ter porte de grande árvore, tem que crescer em três direções. Para baixo, para o lado e para cima. Sim, para crescer e ser forte, precisa descer, aprofundar suas raízes, sugar o solo, beber água e “comer terra”, se infiltrar na terra, desaparecer aos olhos... Precisa criar raízes que se espalhem por onde não se vê. Precisa se arraigar, se fixar contra as intempéries. Precisa ter alicerces, ainda que o terreno não seja bom, precisa superar essa deficiência, se expandindo mais ainda. Ela também precisa subir. Precisa de ar, precisa de luz, precisa de vento. De outra forma, precisa retirar aquilo que é do alto, que fica em cima. Precisa olhar para o céu. Transformar o quer é gasoso em sólido, em solidez e assim, nutrir seu próprio corpo. Mais falta ainda, crescer para o lado. Aumentar seu tronco, se fortificar visivelmente. Suberificar-se para não morrer . Ocupar espaços e se mostrar inabalável. Se expandir.
Assim também precisam ser os homens...
Precisam criar raízes, produzir alicerces. Esses não são visíveis, assim como não são, as raízes. São o que os homens trazem de sua historicidade. Sim as raízes dos homens árvores é a sua historicidade. Emoções que cresceram na escuridão das recamaras de suas almas, onde poucos têm acesso. É preciso muito cavar para perscrutá-las. E esses alicerces, para serem saudáveis, precisam de água, precisam da ÁGUA DA VIDA. E essa é que umedece, amolece, os terrenos rochosos de nossa alma.
Para se conhecer verdadeiramente a árvore, precisa-se conhecer a sua raiz.
Contudo assim também são homens. Eles crescem para cima. Crescem quando olham para o que vem do alto, para a espiritualidade que revela quem somos ou o que não queríamos ser, ainda que irremediavelmente e infelizmente sendo. A gente precisar crescer em direção a essa direção. Em direção ao alto. Ainda, precisamos também assim como as árvores, crescer para os lados e atingir quem está ao nosso lado. Como elas, precisamos gerar sombra e fresco para as pessoas que “plantadas” junto de nós estão. Elas podem ser arrancadas muito depressa e sem nosso consentimento...
Precisamos gerar também frutos e esses bons. Só assim a eternidade chega-se a nós. Através de nossos frutos que novas árvores se tornarão árvores frutíferas e delas novas também surgirão. Uma árvore sem frutos é uma árvore sem futuro. Pessoas sem frutos− penso −, nem árvores são. São matos. Capim sem valor. Todavia não há preocupação em se gerar frutos. Tá no DNA da árvore, assim como no dos homens de boa vontade. Nesse processo, o que mais se precisa é de energia. Daí a necessidade de se obter mais e mais luz , mais e mais A LUZ DO MONDO em nós, para que em nós, fruto gere. Interessante que parece que a árvore é que escolhe a luz, mas isso não é verdade. É a LUZ que nos escolhe assim como escolhe as árvores. Sem luz os homens/árvores nada podem fazer, até mesmo não podem crescer. Pois o SOL DA JUSTIÇA continua sendo sol sem as árvores, mas as árvores, árvores não serão sem o SOL.
Assim são os homens e o seu destino primordial. Árvores se tornarem... Frondosas árvores frutíferas... Um beijo, Marcelo.